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Orkut: por que chegou ao fim?

O Orkut ou o fim de uma era

A tecnologia cresceu à velocidade da luz, encurtou as distâncias e extrapolou ou limites físicos, fez a comunicação ganhar o mundo e foi além. Nesse caminho, as nossas relações humanas passaram com o tempo a ser mediadas pela tecnologia, ao ponto de, em alguns casos, o contato face a face chegar ao cúmulo de ser coisa do passado. Muitos casais se conheceram via internet, muitos namoros “terminaram” via Messenger, relacionamentos se mantêm graças ao Skype, mães até hoje reencontram seus filhos perdidos graças ao Facebook e assim por diante.

As redes sociais, espaços de maior socialização da atualidade, e não mais as livrarias e praças públicas de outrora, alcançaram então o status de palco para discussões sociais, e mais, tornaram-se a própria representação de uma era. Hoje em dia, é quase um absurdo descobrir que alguém, do mundo veloz e cosmopolita, não sabe o que é Twitter, por exemplo. Novas redes sociais surgem quase todos os dias, seja aqui ou no Japão. Diariamente somos apresentados a novas interfaces de relacionamento virtual. Tudo é veloz, tudo é fluido, tudo é líquido, como diz Bauman. E nesse caminho de alto fluxo, até a própria palavra virtual já caiu em desuso, afinal de contas, o virtual muitas vezes é bem mais “real” do que muita coisa concreta.

Mas, como tudo numa sociedade tecnológica (e mercadológica), as redes sociais são dados marcados, experimentais em essência, objetos de uma moda cíclica, que refletem um mundo em transformação, em constante update. Por isso mesmo, as redes, esse tal conjunto de nós interconectados, podem muito bem ter prazo de validade. O Orkut, uma das redes sociais digitais pioneiras em volume e interação, é um exemplo vivo disso, ou melhor, exemplo quase morto. O Orkut, queridinho dos brasileiros (símbolo da incrível dificuldade nacional de abrir mão de tudo) está com os dias contados. Mas então, por que todo esse fascínio pelo Orkut? Por que esse fascínio todo pelas redes sociais de uma forma geral?

A pesquisadora argentina Paula Sibilia dá alguns indícios, apontando essa nossa intrínseca necessidade humana de ser visto, daí a febre do Instagram. Ou ainda, seguindo a epidemia dos reality shows, podemos destacar também esse nosso desejo louco de ver o outro. Todos somos voyers. A verdade é assim, bastante simples, como toda boa hashtag. Queremos saber da vida do outro, saber o que o outro consome, o que ele usa, o que curte, o que come, ou quem. Daí essa verdadeira paixão pelas famosas comunidades do Orkut, um retrato da nossa necessidade de identificação, afinal, como todo bom primata, vivemos em grupos. E por falar neles, o Facebook jamais conseguirá o prestígio e o carinho que se tem, ainda hoje, pelas queridas comunidades, saudosas e já nostálgicas. E há quem já tenha saudades do Facebook, a maior de todas as redes em todos os tempos… Enfim, qual será a próxima?

Anderson Paes Barretto | SevenQuick
Social Media, Mestrando em Comunicação pela UFPE e Especialista em Mídias Digitais

Posted on agosto 14, 2014 in Blog

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